Posts filed under ‘Autores Modernos’

Biblioteca Sábado

A revista Sábado distribui hoje gratuitamente o primeiro número (de uma série de oito) da colecção Os Grandes Autores. Esta conta com nomes como Mario Vargas Llosa, Paul Auster, Laura Esquivel, ou Gabriel García Márquez.
Os próximos volumes têm um custo de 1€.

Maio 8, 2008 at 8:00 am 1 comentário

Eça de Queirós e a Tradição Clássica

Partilho com os meus leitores um resumo da minha comunicação de ontem, na Livraria Livro do Dia de Torres Vedras.

Recepção dos clássicos na Literatura Portuguesa de Oitocentos
1. Um “surto” recente de traduções académicas e fiéis de autores das literaturas latina e grega não quer dizer que os autores da Antiguidade não tenham sido traduzidos antes. Assistia-se, no entanto, a um fenómeno que é ainda hoje visível: muitas das traduções eram feitas a partir de outras traduções. Exemplo disto é a afirmação de José Liberato Freire de Carvalho, que traduziu em 1830 os Anais de Tácito: “ou boa ou má, não é tradução de nenhuma francesa”.
Os autores clássicos mais traduzidos para português foram Vergílio e Horácio. Não é difícil perceber porquê. Para Eça de Queirós, que viveu no fim do século XIX, estes são essencialmente os mestres, a par de outros génios da Antiguidade.
Nas Cartas de Inglaterra, lemos num curioso passo a comparação das culturas e civilizações gregas e romanas com as nossas, modernas:

O tipo secular e doméstico de uma aldeia árida do Himalaia, tal como uma vetusta tradição o tem trazido até nos, é infinitamente mais perfeito que o nosso organismo doméstico e social. Já não falo de gregos e romanos: ninguém hoje tem bastante génio para compor um coro de Ésquilo, ou uma página de Virgílio; como escultura e arquitectura, somos grotescos; nenhum milionário é capaz de jantar como Lúculo; agitavam-se em Atenas ou Roma mais ideias superiores num só dia do que nós inventámos num século; (…) não há nada equiparável à administração romana; o bulevar é uma viela suja ao lado da Via Ápia; (…) nunca ninguém tornou a falar como Demóstenes — o servo, o escravo, essa miséria da Antiguidade, não era mais desgraçado que o proletário moderno. De facto, pode-se dizer que o homem nem sequer é superior ao seu venerável pai — o macaco.

2. Em que medida Eça usa esta preciosa tradição? Para já, e antes de mais, convirá esclarecer uma coisa: o mito da crítica ao ensino do latim na obra de Eça.
Estabeleceu-se nas obras de Eça de Queirós, e principalmente n’Os Maias, o modelo da educação portuguesa, onde o latim surge como prática pedagógica fossilizada e não criativa: um latim para traduzir Tito Lívio e Vergílio, mas principalmente orientado para a doutrina da Igreja.
Eça é um cidadão muito preocupado com a educação portuguesa. O ensino da língua latina é particularmente visado em obras de não-ficção. Porque o latim, no sistema de ensino português da época, representava uma educação baseada na memorização e que “implica a desvalorização da criatividade e do juízo crítico”. O escritor diz que os filhos dos portugueses são sepultados “sob grossas camadas de latim!” e que nós “só começamos a ser idiotas” porque não há literatura infantil como em Holanda ou na Suécia — Portugal importa “livros para completar a mobília (…); para educar o espírito, não.”
É a monotonia que Eça despreza, não o latim, a literatura latina, ou a história clássica como elemento de estudo.
Avancemos com a pergunta: Se Eça conhece os clássicos e lhes reconhece o valor, que uso faz deles?
Vergílio (evocado em cenários bucólicos) e Homero são os mais citados, mas reconhece-se um grande respeito por Horácio. De Ovídio colhe uma experiência de vida (com ele partilha a condição de exilado). Em Tácito reconhece uma prosa superior. E os exemplos poderiam continuar.

3. Baseado num episódio da Odisseia, obra escrita pelo mais antigo dos poetas, um dos escritores mais importantes da literatura portuguesa de sempre escreveu o conto A Perfeição.
3.1 Numa carta de 1899 ao seu amigo Bernardo Pinheiro, o conde de Arnoso, Eça de Queirós escrevia:

“Estou em Salamanca. (…) A minha história é simples. Não sei se te lembras de Ulisses. E se te lembras sobretudo dos expedientes, das manhas sublimes desse divino homem, naquela prodigiosa viagem em que ele ansiosamente navegava em demanda da sua Ítaca, da sua Penélope, do seu doce Telémaco… Pois esse incomparável Herói, quando o cantar das Sereias, ou a beleza das enseadas das Ilhas cor-de-rosa, ou a hospitalidade das Rainhas, o tentavam a ficar, a desviar do rumo devido, metia cera dentro dos ouvidos, colava as pestanas com cera, e, num arremesso mais desesperado de vela e remo, atirava a proa a Ítaca! Eu imitei este herói prudentíssimo. Lisboa estava sendo para mim uma paragem perigosa e exercendo sobre mim, tão fraco, todas as seduções que tanto embaraçaram o forte Ulisses (que de resto, a edificou). Essa adorável de S. Domingos à Lapa, apesar do seu santo nome, era a diabólica Ilha dos Lotófagos, onde, depois de comer a flor de Loto (ponhamos o bacalhau assado) a gente tudo esquecia, envolta em beatitude. Em torno de mim boiavam Sereias…” Mais à frente diz que adoptou a “manha do herói manhoso”.

Estas palavras provam que Eça conhecia — e bem — a história da Odisseia.
Lia e conhecia Homero, é certo, mas Eça não sabia grego. Eça de Queirós, tal como a sua geração, teve acesso aos clássicos gregos e latinos através de traduções francesas.
3.2 Este conto chegou a ser classificado por um lusitanista holandês como uma encantadora variação de um tema da Odisseia. E de facto, se analisarmos as duas obras em paralelo, percebemos que A Perfeição não só é uma imitação como é uma reescrita de um pequeno episódio da Odisseia. Mas por “imitação” não devemos entender uma crítica, pelo contrário. Penso que as grandes obras “clássicas” têm esse estatuto porque nunca deixam de influenciar, contaminar, seduzir leitores e escritores de todas as épocas e de todas as sensibilidades. Não é imitação no sentido negativo do termo porque A Perfeição, ainda que criada a partir da Odisseia, acaba por veicular uma mensagem muito diferente. A começar no facto de, na Odisseia, a saída de Ulisses da ilha de Ogígia ser uma estratégia para iniciar o enredo da obra — o regresso a casa e a restauração da ordem em Ítaca.
Em A Perfeição, o retrato de Ulisses é a representação do Homem: ele parte a caminho da “delícia das coisas imperfeitas”. Na Odisseia, a sua história continua muito além do que aqui vimos, mas não podemos esquecer que o Ulisses de Eça não é o herói de Homero — é um herói moderno, também vencido da vida, que se movimenta num cenário aparentemente homérico.

4. Até aqui, falei de alusões e referências a autores e temas clássicos que Eça de Queirós aproveitou na sua produção artística, mas o assunto pode ser abordado com muito mais profundidade. É que a relação de Eça com os clássicos não se verifica só à superfície, mas também em termos estruturantes. Dou dois exemplos básicos:
- muitos escritos queirosianos, como As Farpas — e mesmo em passos de alguns romances — são verdadeiros nacos de sátira. Ora, a sátira é um género literário que nasceu e se desenvolveu (com muita saúde, diga-se) em Roma. Marcial e Juvenal foram os principais cultores deste género — e Eça certamente que os terá lido.
- o outro exemplo é retirado da literatura grega. É que é inegável que Eça tenha recolhido da tragédia grega elementos estruturantes para Os Maias: o tema do incesto, decorrente de uma avaliação errada, a presença do destino funesto, a falta cometida mesmo depois de se saber a verdade, etc. Tudo isto é característico da tragédia, e tudo isto daria para continuar a falar.

5. Concluo, ironicamente, citar um autor do Modernismo que sucumbiu ao gosto pelos clássicos — Fernando Pessoa. Diz ele nas Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação: “A mais antiga tradição da nossa civilização é a tradição grega. Devemos reatá-la. Temos de nos criar uma alma grega, para podermos continuar a obra da Grécia. Tudo posterior à Grécia tem sido um erro e um desvio.”
Voltemos, pois, à Grécia.

Abril 13, 2008 at 10:06 am Deixe o seu comentário

Literatura Portuguesa no JN

Começou hoje a ser distribuída com o Jornal de Notícias mais uma colecção de livros. Agora é a vez dos Clássicos da Literatura Portuguesa que, como quaisquer outros clássicos, só estão disponíveis para compra mediante a estratégia da distribuição com jornal.
Apresentam-se agora os títulos e o calendário de distribuição.
Domingo, 6 de Abril: A Cidade e as Serras (Eça de Queirós);
Terça-feira, 8 de Abril: A Queda dum Anjo (Camilo Castelo Branco);
Quinta-feira, 10 de Abril: O Arco de Santana (Almeida Garrett);
Sábado, 12 de Abril: Sermão de Santo António aos Peixes (Padre António Vieira);
Domingo, 13 de Abril: Peregrinação (Fernão Mendes Pinto);
Terça-feira, 15 de Abril: As Máscaras do Destino (Florbela Espanca);
Quinta-feira, 17 de Abril: Eurico o Presbítero (Alexandre Herculano);
Sábado, 19 de Abril: Cartas a Luísa. Arabesco (Maria Amália Vaz de Carvalho);
Domingo, 20 de Abril: Auto da Barca do Inferno (Gil Vicente);
Terça-feira, 22 de Abril: As Pupilas do Sr. Reitor (Júlio Dinis);
Quinta-feira, 24 de Abril: Viriato (Teófilo Braga);
Sábado, 26 de Abril: O País das Uvas (Fialho de Almeida);
Domingo, 27 de Abril: Menina e Moça (Bernardim Ribeiro);
Terça-feira, 29 de Abril: Húmus (Raul Brandão);
Quinta-feira, 01 de Maio: Carta a El-Rei D. Manuel sobre o Achamento do Brasil (Pêro Vaz de Caminha);
Sábado, 03 de Maio: Os Meus Amores (Trindade Coelho);
Domingo, 04 de Maio: Histórias Cor-de-rosa (Ramalho Ortigão).

Como já aqui tenho acentuado, a selecção, como em qualquer antologia, é discutível, e por isso escuso-me a mais comentários, porque há autores menores em vez de autores maiores e há textos menores de autores maiores em vez de textos maiores.
Os livros (edição da Quid Novi) são em formato bolso, e é necessária lupa para uma leitura eficaz. No entanto, são oferecidos com o jornal.

Abril 6, 2008 at 3:50 pm Deixe o seu comentário

Doação do espólio de Cardoso Pires à Biblioteca Nacional e apresentação de Lavagante por Maria Lúcia Lepecki

Carregue na imagem para ampliar.

Abril 3, 2008 at 10:33 pm Deixe o seu comentário

A Morte de Ivan Ilitch

Há semanas, pude ler A Morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstói, que é, no âmbito da literatura moderna estrangeira, o meu autor favorito.
Ivan Ilitch é um jurista normal, com relações sociais e familiares normais, que fica doente a ponto de a sua morte, anunciada logo pelo título, estar iminente (causa: rim? apendicite?). No entanto, essa morte é o pretexto para uma reflexão sobre a vida, a de Ivan Ilitch, mas também, e comoventemente, a nossa.
Muito provavelmente, Vladimir Nabokov tem razão e este é o mais belo conto alguma vez escrito.
Ontem pude ver o filme The Bucket List, com Jack Nicholson e Morgan Freeman. Fora muita coisa que possa ser dita relativamente ao texto (por vezes a roçar o lamentável), lembrei-me de Tolstói. (Já agora: Morgan Freeman, simplesmente fantástico.)

Março 31, 2008 at 11:24 am 2 comentários

Anna Karénina

O romance do conde Lev Tolstói (que não gostava de usar o título, tendo-o mesmo abandonado) Anna Karénina foi publicado em fascículos num periódico de 1873 a 1877. A obra é consensualmente apreciada como o auge da criação artística e estética do autor, ainda que, talvez mais pelo tema, a minha obra de eleição seja Guerra e Paz. Anna Karénina está, na história da literatura, entre o realismo e o modernismo.
Não me interessa aqui resumir o argumento da obra: apenas considero importante realçar a fabulosa construção de personagens (entre outras formas de construção do discurso que poderiam ser abordadas). Tolstói fá-las aparecer na nossa frente a cada frase. A cada momento elas vão-se desenhando, quer física, quer psicologicamente (o que, em termos retóricos, é algo muito mais interessante). Depois, há personagens que parecem não ter ligação (há saltos de tempos e de espaços, sem que se perca o fio à meada, porque a obra está de facto muito, muito bem escrita), mas acabam por se criar elos que as relacionam de uma maneira ou de outra.
Vladimir Nabokov vê algumas semelhanças entre este romance e o de Flaubert, Madame Bovary. Diz o autor que ainda que possam existir semelhanças, as personagens Emma e Anna são muito diferentes. Nomeadamente porque Emma é uma provinciana e Anna uma mulher muito mais sofisticada… E é, penso eu, alguém que todos os bons leitores devem conhecer.
A obra Anna Karénina encontra-se traduzida para português por António Pescada (edição Relógio d’Água).

Março 12, 2008 at 9:21 pm 1 comentário

Aulas de Literatura

O volume Aulas de Literatura reúne as aulas que Vladimir Nabokov deu em Cornell sobre (sigo o índice) Jane Austen, Mansfield Park, Charles Dickens, Bleak House, Gustave Flaubert, Madame Bovary, Robert Louis Stevenson, O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde, Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido, I: Do Lado de Swann, Franz Kafka, A Metamorfose, e James Joyce, Ulisses.
As aulas vêm enquadradas com o texto “Bons Leitores e Bons Escritores” — em que Nabokov refere uma importante qualidade do escritor: o bom escritor é sobretudo um bom contador de histórias —, e, no fim, “A Arte da Literatura e o Senso Comum” e “L’envoi”. Neste último, reafirma que é infantil o leitor querer identificar-se com uma personagem do livro: “Tentei fazer de vós [os seus alunos, incluindo-nos a nós, que com ele aprendemos, naturalmente] bons leitores, capazes de ler livros, não com o objectivo infantil de vos identificardes com as personagens, não com o objectivo adolescente de aprender a viver, nem com o objectivo académico de vos dedicardes a generalizações.”
Qual é, então, a concepção que Nabokov tem de literatura? O professor vê nos grandes livros que estuda obras de arte. Para aprender a analisá-las, não é preciso ler este livro — mas para apreciá-las enquanto elementos geniais do engenho humano ele dá uma grande ajuda.
NABOKOV, Vladimir, Aulas de Literatura, trad. Salvato Telles de Menezes, introd. John Updike (Lisboa: Relógio d’Água, 2004).

Março 10, 2008 at 9:06 pm Deixe o seu comentário

Curso Livre de Literatura Portuguesa 2008

O Departamento de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa promove o Curso Livre de Literatura Portuguesa 2008, organizado pelas Professoras Fátima Freitas Morna, Isabel Rocheta, Maria Sousa Tavares, e Serafina Martins.
O tema deste ano é Fernando Pessoa.
O curso decorrerá no Anfiteatro III da Faculdade, de 1 de Abril a 27 Maio, às terças-feiras, entre as 18h15 e as 19h45. As inscrições são feitas nos Serviços Académicos da Faculdade de Letras e a propina é de 40€ para estudantes e 75€ para o público geral.
O programa do curso é este:
1 de Abril: “Pessoa: a correspondência”, Manuel Parreira
8 de Abril: “Pessoa: relações ibéricas”, Antonio Sáez Delgado
15 de Abril: “Pessoa: a fotobiografia”, Maria José Lancastre
22 de Abril: “Pessoa: a edição”, Richard Zenith, João Dionísio
29 de Abril: “Pessoa: a herança clássica”, José Pedro Serra
6 de Maio: “Pessoa: os herdeiros”, Fernando J. B. Martinho
13 de Maio: “Pessoa: o virtuosismo de Bernardo Soares”, António M. Feijó
20 de Maio: “Pessoa: o filme Conversa Acabada”, João Botelho
27 de Maio: “Pessoa e o cânone”, Vítor M. Aguiar e Silva

Como se vê, as sessões são um luxo… e recomendam-se.

Fevereiro 26, 2008 at 7:36 am Deixe o seu comentário

Comemorar Vieira

As iniciativas que marcam a celebração do aniversário do Padre António Vieira são tantas que não me será possível enumerá-las todas aqui. Por isso, escolho as principais.
Na Antena 2, o Páginas de Português foi sobre o Padre António Vieira. Pode ouvir-se aqui. Na mesma rádio, ouviu-se um especial sobre a efeméride.
Ao longo da emissão de hoje, a TSF passa excertos do Sermão de Santo António aos Peixes, declamado por Ary dos Santos. Fernando Alves dedicou os seus Sinais ao autor: ouvir aqui.
Numa iniciativa do Centro Nacional de Cultura, o eléctrico 28 transforma-se, a partir das 3h da tarde, no Eléctrico Vieira.
No Centro Cultural de Belém, às 21h30, há o concerto Foi-nos um céu também, como parte integrante das comemorações.
O PÚBLICO de hoje trouxe um especial sobre António Vieira, de António Marujo. Também o Diário de Notícias dá grande destaque ao centenário, estudando a mulher na obra de Vieira e chamando-o mestre da língua portuguesa.
Na SIC, o autor é assim evocado: “Assinalam-se hoje os 400 anos do nascimento do Padre António Vieira. Jesuíta, missionário e diplomata, ficou na História portuguesa e brasileira como um grande prosador e defensor dos direitos humanos.
A RTP cita a Lusa, que lembra que “[a]s comemorações oficiais do IV centenário do nascimento do padre António Vieira arrancam hoje com um conferência do ensaísta Eduardo Lourenço intitulada “Do Império do Verbo ao Verbo como Império” e uma alocução do Presidente da República, Cavaco Silva.

Fevereiro 6, 2008 at 2:07 pm Deixe o seu comentário

NO DIA 6 DE FEVEREIRO DE 1608

NASCIA O PADRE ANTÓNIO VIEIRA

Decorre hoje a cerimónia de abertura oficial das comemorações do quarto centenário do seu nascimento.

Ligar:
+ a mais informações no sítio do Ano Vieirino

Fevereiro 6, 2008 at 7:20 am Deixe o seu comentário

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