Sobre a contracção de preposições com artigos
Abril 28, 2008
Em recente debate sobre o Acordo Ortográfico com o autor do blogue Espectativas, surgiu a questão da aceitação e correcção gramatical de uma construção do tipo “o facto da acção do filme se basear…”. É um dos casos em que não é preciso fazer uma pesquisa exaustiva sobre o assunto, pois a boa bibliografia abunda. Cita-se, por isso, um excerto da obra Áreas Críticas da Língua Portuguesa, da autoria dos Professores João Andrade Peres e Telmo Móia (2.ª ed., Lisboa: Caminho, 2003, 222): “há razões estruturais que aconselhariam a não contrair preposições e artigos (ou pronomes) quando estes últimos aparecem à cabeça de uma oração dependente dessa preposição.” Depois de exemplos como “Surpreendeu-me o facto de o Paulo ter vindo visitar-me.” e “Isto depende de ele querer ou não.”, dizem os autores que no primeiro caso “a preposição de precede uma oração complemento (…) e o artigo ou pronome em causa (…) faz parte de um sintagma nominal integrado nessa frase (…). A este tipo de contextos opõem-se aqueles em que o artigo (ou pronome) faz parte de um sintagma nominal que não pertence a uma oração complemento, mas antes depende directamente da preposição, formando com ela um argumento ou um modificador, casos em que normalmente se faz a contracção”, como na interpretação que dei no meu comentário ao referido texto “o facto da acção significa que a acção tem um facto”.
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