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	<title>Comentários em: Acordo Ortográfico: exemplo francês</title>
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	<description>“o valor higiénico da vírgula”</description>
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		<title>Por: ricardonobre</title>
		<link>http://livrodeestilo.wordpress.com/2008/04/27/acordo-ortografico-exemplo-frances/#comment-459</link>
		<dc:creator>ricardonobre</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 16:29:09 +0000</pubDate>
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		<description>Este texto não propõe nada disso e, como está expresso (isso sim), foi escrito a partir de informações do Dictionnaire Hachette.
Eu sei muito bem que o Acordo não propõe um só português, mas a simplificação que dele resulta concorre para essa união: um dos motivos por que sou contra o Acordo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Este texto não propõe nada disso e, como está expresso (isso sim), foi escrito a partir de informações do Dictionnaire Hachette.<br />
Eu sei muito bem que o Acordo não propõe um só português, mas a simplificação que dele resulta concorre para essa união: um dos motivos por que sou contra o Acordo.</p>
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		<title>Por: Orlando</title>
		<link>http://livrodeestilo.wordpress.com/2008/04/27/acordo-ortografico-exemplo-frances/#comment-458</link>
		<dc:creator>Orlando</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 16:24:26 +0000</pubDate>
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		<description>Este texto parece propor, subliminarmente, a ideia de que só existe &quot;um francês&quot;, assim como quem propõe o Acordo Ortográfico defende a ideia de &quot;um só português&quot;. Nada mais falso: o francês falado e escrito difere imenso, da França à Bélgica, Suíça -- até ao Canadá.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Este texto parece propor, subliminarmente, a ideia de que só existe &#8220;um francês&#8221;, assim como quem propõe o Acordo Ortográfico defende a ideia de &#8220;um só português&#8221;. Nada mais falso: o francês falado e escrito difere imenso, da França à Bélgica, Suíça &#8212; até ao Canadá.</p>
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		<title>Por: de pt mdr</title>
		<link>http://livrodeestilo.wordpress.com/2008/04/27/acordo-ortografico-exemplo-frances/#comment-457</link>
		<dc:creator>de pt mdr</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 16:14:14 +0000</pubDate>
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		<description>E se tirassem os &quot;s&quot;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>E se tirassem os &#8220;s&#8221;</p>
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		<title>Por: André</title>
		<link>http://livrodeestilo.wordpress.com/2008/04/27/acordo-ortografico-exemplo-frances/#comment-456</link>
		<dc:creator>André</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 11:07:48 +0000</pubDate>
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		<description>Lembro-me da confusão que foi quando essa reforma do francês foi proposta, que ia mais longe do que os exemplos indicados. Por exemplo, propunha-se a eliminação do &quot;ph&quot; em várias situações. Havia, entre vários, um exemplo brandido pelos dois lados da disputa, a palavra &quot;nénuphar&quot;. Os contra a reforma juravam que nunca escreveriam &quot;nénufar&quot;, pois era um desrespeito à história da palavra; os a favor da reforma (poucos, somos sempre poucos) urravam que o &quot;ph&quot; não tinha qualquer justificação porque a palavra é de origem árabe. Acontece que ambos os lados tinham razão: ainda que de origem árabe, a palavra entrou, no entanto, por via latina medieval, escrita em latim &quot;nenuphar&quot;. A discussão centrou-se nestas questões comezinhas, e, pelo que sei, nunca se avançou. Realmente os circunflexos franceses, relíquias etimológicas de antigos &quot;s&quot;, são tão inúteis como as nossas mudas.

Um caso mais próximo de nós cronologicamente é o acordo dos países de língua alemã, que propõe algumas alterações que não vou comentar porque não sei alemão. Pelo que li nos jornais, uma das alterações é a substituição daquela letra que parece um beta, e que é uma relíquia da caligrafia antiga, pelos dois &quot;s&quot; que ela representa foneticamente. Os povos germânicos nisto são muito mais pragmáticos do que os latinos, e a reforma entrou imediatamente em vigor (ainda está), mas permitindo um muito alargado período de convivência entre as duas grafias. Ora os adversários da reforma são também bastante pragmáticos, e há jornais alemães que tomaram posição editorial contra, e voltaram a escrever na grafia antiga.

A mim, com franqueza, parece-me tudo much ado about nothing, como dizia o outro, tanto no caso português como no alemão (o francês era de facto uma reforma a sério, era diferente). Quantas mais línguas e alfabetos aprendo mais me desprendo dessa convenção que é a ortografia, e mais me centro no que interessa, que é a língua. Tanto me faz escrever &quot;mãi&quot; ou &quot;mãe&quot; ou &quot;main&quot; (só para referir algumas das grafias que já vi em letra de imprensa), desde que seja a grafia consagrada. Agora é &quot;mãe&quot;. Se amanhã se decidir que é mais correcto &quot;mãĩ&quot;, tudo bem. É uma mera convenção. E se se optar, numa solução à moda gaélica, de conservar na palavra toda a sua história etimológica, passando a escrever &quot;matermadreãe&quot;, por mim encantados da vida.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Lembro-me da confusão que foi quando essa reforma do francês foi proposta, que ia mais longe do que os exemplos indicados. Por exemplo, propunha-se a eliminação do &#8220;ph&#8221; em várias situações. Havia, entre vários, um exemplo brandido pelos dois lados da disputa, a palavra &#8220;nénuphar&#8221;. Os contra a reforma juravam que nunca escreveriam &#8220;nénufar&#8221;, pois era um desrespeito à história da palavra; os a favor da reforma (poucos, somos sempre poucos) urravam que o &#8220;ph&#8221; não tinha qualquer justificação porque a palavra é de origem árabe. Acontece que ambos os lados tinham razão: ainda que de origem árabe, a palavra entrou, no entanto, por via latina medieval, escrita em latim &#8220;nenuphar&#8221;. A discussão centrou-se nestas questões comezinhas, e, pelo que sei, nunca se avançou. Realmente os circunflexos franceses, relíquias etimológicas de antigos &#8220;s&#8221;, são tão inúteis como as nossas mudas.</p>
<p>Um caso mais próximo de nós cronologicamente é o acordo dos países de língua alemã, que propõe algumas alterações que não vou comentar porque não sei alemão. Pelo que li nos jornais, uma das alterações é a substituição daquela letra que parece um beta, e que é uma relíquia da caligrafia antiga, pelos dois &#8220;s&#8221; que ela representa foneticamente. Os povos germânicos nisto são muito mais pragmáticos do que os latinos, e a reforma entrou imediatamente em vigor (ainda está), mas permitindo um muito alargado período de convivência entre as duas grafias. Ora os adversários da reforma são também bastante pragmáticos, e há jornais alemães que tomaram posição editorial contra, e voltaram a escrever na grafia antiga.</p>
<p>A mim, com franqueza, parece-me tudo much ado about nothing, como dizia o outro, tanto no caso português como no alemão (o francês era de facto uma reforma a sério, era diferente). Quantas mais línguas e alfabetos aprendo mais me desprendo dessa convenção que é a ortografia, e mais me centro no que interessa, que é a língua. Tanto me faz escrever &#8220;mãi&#8221; ou &#8220;mãe&#8221; ou &#8220;main&#8221; (só para referir algumas das grafias que já vi em letra de imprensa), desde que seja a grafia consagrada. Agora é &#8220;mãe&#8221;. Se amanhã se decidir que é mais correcto &#8220;mãĩ&#8221;, tudo bem. É uma mera convenção. E se se optar, numa solução à moda gaélica, de conservar na palavra toda a sua história etimológica, passando a escrever &#8220;matermadreãe&#8221;, por mim encantados da vida.</p>
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