20 anos de TSF, com o sítio ao abandono

Fevereiro 27, 2008

Aos 20 anos (é já no próximo dia 29), a TSF atravessa a maior crise de sempre.
O portal da Internet é um desmazelo, os podcasts restritos a poucos programas, as divisões dos temas das notícias discutíveis, as notícias que eram exclusivas ou em primeira mão deram lugar às notícias de sempre, via Lusa e outras agências de notícias. O modo de fazer as notícias é questionável. Há um grande acontecimento no âmbito económico e vai falar o editor de economia do Sol?! E não era melhor ideia haver um editor de Economia na TSF, alguém especialista que tivesse discernimento para falar sobre todos os assuntos dessa área? Ah, e que não dissesse o que eu, totalmente alheado da Economia, não saiba já, por dedução.
O excessivo peso do desporto, o pouco debate sobre assuntos sociais e culturais — a este respeito, notem-se as grandes excepções que são o programa de Manuel Vilas-Boas, Encontros com o Património e o componente cultural dos convidados do Pessoal… e Transmissível —, a perda de tempo que na maior parte das vezes é o programa Mais Cedo ou Mais Tarde (que devia chamar-se “pouco interessante”), entre outras, são motivos para que sinta uma certa desilusão com a Rádio. O fim de A Semana Passada e das revistas do ano é, simplesmente, um escândalo. Não me refiro à qualidade da música: o que era e o que é.
Não se depreenda daqui que a TSF é uma rádio má: é a única que consigo ouvir com gosto (menos a parte do desporto, claro). Há profissionais muito bons e depois há outros mais medíocres. Continua a haver muito boas reportagens, rubricas de humor com piada, ou outras rubricas úteis, por exemplo, a Clínica Geral.
Sei que o director da TSF entrou há pouco tempo. Nota-se pouco a diferença em relação ao anterior e eu, que não ouço a Rádio apenas no carro, como a maior parte das pessoas, faço votos para que Paulo Baldaia mexa na grelha, e que renove finalmente o sítio da Rádio. Aqui tem de haver dois componentes básicos: as notícias e a Rádio propriamente dita. As notícias têm de ter uma divisão mais correcta — “Portugal” não pode ser só política (por que não uma divisão “Política”?) —, mais bem redigidas (e já agora corrigir o URL ‘ocio’ na parte das “Artes”), todas as notícias que vão para o ar têm de estar disponíveis no sítio. E, já agora, colocar a publicidade em sítios mais discretos. Não basta já o peso que têm no ar, quanto mais ainda vê-la a saltar na Internet.
Quanto ao componente “Rádio” de que falei, conviria ter todos os programas disponíveis para audição (se há problemas com direitos de autor ou tamanho de ficheiros, por exemplo, que fique disponível apenas uma semana), uma grelha com a programação exacta e não feita à pressa — e, como sugestão pessoal, uma página-base para cada um dos programas, alimentada pelo autor, onde se poderia ouvir os programas, ler sobre eles… (um pouco como já acontece com o blogue do Mais Cedo ou Mais Tarde). E já agora uma parte com uma pequena história da TSF, com as caras (sim, queria ver as fotos) que fazem a rádio, também era boa ideia.

PS: Actualmente, não se pode ouvir na Internet o trabalho especial sobre os 20 anos da Rádio… irónico.
PPS: A Reportagem TSF desta semana (sexta-feira depois das 19h e domingo depois das 10h) é sobre os primeiros tempos da Rádio, quando funcionava em modo pirata na cave de um prédio. Mas esta promoção não surge no sítio: outra coisa a corrigir.

Entry Filed under: Opinião, Rádio, TSF. .

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